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“Vamos ter uma campanha com debate”, diz Lula
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez na tarde de ontem em Brasília, o seu primeiro pronunciamento após a divulgação dos resultados do primeiro turno e também deu uma rara entrevista coletiva em seus quase quatro anos de mandato. Lula estava sorridente, menos carrancudo do que em suas últimas entrevistas para a TV. Parabenizou o “comportamento exemplar das eleições”. Citou o expressivo comparecimento às urnas e a paz que reinou no processo eleitoral. Segundo ele, a tranqüilidade do pleito demonstra a consolidação do processo democrático no país.
O presidente elogiou o sistema de apuração das urnas eletrônicas do Tribunal Superior Eleitoral. “Muitos países ricos e mais avançados tecnologicamente deveriam acompanhar de perto nosso modelo de votação. Ter mais de 100 milhões de votos apurados em quatro horas é uma coisa estupenda, de causar inveja para qualquer país”.
Ao anunciar que passaria a falar “como candidato”, o petista agradeceu aos eleitores que votaram nele. “Obviamente que todos gostariam de ter ganho no primeiro turno, mas nem sempre a sabedoria popular permite que isso aconteça”, disse. “Vamos ter uma campanha mais justa, mais verdadeira, com debate, tête a tête com os dois candidatos”.
Lula disse estar “extremamente feliz” com a vitória de Jaques Wagner (PT) na Bahia, em primeiro turno, e com a vitória de Marcelo Déda, outro petista, no Sergipe. “Os dois Estados governados pelo PFL que foram derotados exatamente pelo PT”, afirmou.
A seguir, os principais trechos das respostas de Lula às perguntas realizadas pelos jornalistas:
Ausência no debate
“Se eu tivesse bola de cristal que me dissesse o que fazer, faria tudo aquilo que ganhasse votos. Vamos ter oportunidade agora de ter debate, vai ser mais esclarecedor. O tipo de debate agora é mais ágil (com apenas dois candidatos). Não tenho aferição para medir se deveria ter ido ou não.”
Nos Estados
“Os aliados agora estão mais ou menos previsíveis. Em alguns Estados, já foram aliados nossos em primeiro turno. Vamos reforçar nossas alianças políticas e vai ser extremamente importante a ajuda que a gente possa receber e dar aos candidatos a governador. Em Pernambuco, vou apoiar Eduardo Campos (PSB) e ele vai me apoiar.”
PSOL
“A Heloísa (Helena) já deu declaração dizendo que vai liberar o partido dela para votar. É uma sóbria decisão. O PT já passou por isso várias vezes. O eleitor não fica esperando a burocracia de um partido, ele vai e toma posição.”
No Rio
“Conversei com Sérgio Cabral (candidato do PMDB a governador do Rio) hoje de manhã (ontem). Não medirei esforços para que o partido no Rio e para que Crivella possa apoiar o Sérgio Cabral. Pedi para o Tarso Genro conversar com Vladimir Palmeira. Terei imenso prazer em fazer comício com Sérgio Cabral.”
O dossiê
“Vocês nunca me viram comentar pesquisa. A gente reflete sobre elas e vê o que pode fazer. Havia pressão de setores da sociedade para que houvesse dois turnos. Foi o PT que propôs que as eleições tivessem dois turnos nas cidades com mais de 200 mil habitantes. Estamos dispostos a sair para a rua e fazer campanha outra vez. Vamos disputá-lo com a mesma força que disputamos o primeiro turno. Se o fato aconteceu, tem que ser mostrado. Mais dia menos dia o político tem uma queixa da imprensa. A imprensa tem papel muito importante em tudo o que estamos vivendo no Brasil de conquista de democracia. A fotografia poderia ter sido mostrada no dia, poderia ter sido mostrada quando bem entendesse.”
“Peço a Deus que não me aconteça nada até que eu possa desvendar esse mistério, quem arquitetou essa obra de engenharia para atirar no próprio pé. Peço a Deus para viver até o dia em que puder falar “foi tal pessoa que articulou, foi tal pessoa que convenceu tal pessoa”. Nos Estados Unidos, alguém já estaria fazendo um filme sobre o assunto. Peço a Deus que essa história venha à tona.”
Pobres e ricos
“Se fosse simples assim, como tem muito mais pobres do que ricos, já estaria ganha a eleição. Não é assim que alguém se candidata à presidência. Nós estamos governando e os empresários ganharam dinheiro, os trabalhadores ganharam dinheiro. Dentro de 190 milhões de pessoas, vamos privilegiar a parte mais pobre. As camadas sociais já existiam antes que eu existisse, antes de a minha mãe me ter eu já pertencia a uma classe social que era a dos deserdados. A luta me fez chegar à Presidência da República. A sociedade brasileira não aceita essa divisão. Quando a Pnad declara que tiramos pessoas da pobreza, isso é um dado extraordinário. Ganha toda a sociedade brasileira.

Alckmin diz que PSDB busca apoio do PMDB
O candidato do PSDB à Presidência da República, Geraldo Alckmin, disse que sua legenda já está em contato com os partidos políticos para ampliar sua coligação para o segundo turno, com ênfase para o PMDB.
A coordenação da campanha de Lula também anunciou ontem que vai buscar o apoio do PMDB. Os presidentes do meu partido, do PFL e do PPS já estão em conversas com os partidos. O Tasso [Jereissatti, presidente do PSDB] já está em conversa com o PMDB, com o Michel Temer [presidente da legenda]”, disse ele, na capital paulista.
Alckmin vai disputar o segundo turno com o candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, em uma disputa que deve ser mais acirrada que em 2002, quando o petista também disputou com um tucano, José Serra (eleito anteontem governador de São Paulo).
Naquele ano, Lula teve 46,44% dos votos contra 23,20% de Serra no primeiro turno. O petista bateu o tucano poucos dias depois, com percentual de 61,27% dos votos ante 38,73% no segundo turno.

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