| Piauí
se prepara para realizar transplante de fígado
Katiúscia Alves
Repórter
O Piauí se prepara para iniciar as cirurgias
de transplante de fígado. Até hoje, os órgãos
recebidos aqui são destinados a pacientes de Fortaleza
(CE) ou outras capitais do Nordeste, exatamente porque não
havia uma equipe de especialistas pronta para realizar a cirurgia,
considerada de alta complexidade. “Já contamos
com seis especialistas para atender à demanda - já
que é um procedimento cirúrgico multidisciplinar
- mas muito em breve o Piauí estará realizando
também o transplante de fígado”, explicou
a nefrologista e diretora da Central de Transplantes do Piauí,
Maria de Lourdes Veras.
Até a década de 70, não existiam perspectivas
de tratamento para pacientes com doenças do fígado
em fase avançada. Dispunha-se apenas de medidas paliativas,
capazes de diminuir seu sofrimento até a fase final
da evolução natural da doença. “O
transplante de fígado realizado aqui mesmo em Teresina
trará melhores perspectivas de vida para quem sofre
de doenças como a insuficiência hepática,
hipotensão, hipertensão, com conseqüências
e repercussões hemodinâmicas e metabólicas,
diabetes, hepaticardise prejudiciais ao organismo”,
explicou a diretora da Central de Transplantes.
Apesar de ainda não contar com o transplante de fígado
e outros órgãos, como pulmão, a Central
de Transplantes do Piauí comemora o crescimento do
número de doadores, que está cada vez maior.
Desde sua inauguração, de 2000 para cá,
a Central já realizou quase 500 transplantes, sendo
que os campeões são os de rim e córnea.
Em seis anos, 243 pacientes receberam um novo rim no Piauí;
outros 232 receberam córnea e 18 pessoas tiveram a
felicidade de um novo coração. A central garantiu,
no total, 493 transplantes no Estado.
Em vida, a pessoa pode doar apenas o rim e a medula óssea,
já o doador morto pode doar fígado, pulmão,
coração, córnea e pâncreas. Para
doar, a pessoa viva deve ser saudável. “Não
pode ser portador de algumas doenças como câncer,
não pode apresentar vírus de hepatite ou HIV
e infecções generalizadas. Somente depois de
fazer uma bateria de exames, é possível realizar
o procedimento cirúrgico”, disse a nefrologista.
O trabalho de conscientização passa pela sensibilização
da família. Para se ter uma idéia, a doação
dos órgãos de apenas uma pessoa pode salvar,
no mínimo, 25 vidas, diretamente. Lourdes Veras diz
que as pessoas que chegam até a Central de Transplantes
vêem encaminhadas por médicos. “Após
diagnosticar a doença, o médico sabe se vai
precisar ou não de um transplante, encaminha o paciente
para cá. Nós recebemos pessoas de todo o Estado”,
comentou.
Ufpi encerra amanhã
as inscrições para o Psiu Geral
Vanessa Mendonça
Especial para O DIA
Concorrentes à modalidade geral do Programa
Seriado de Ingresso à Universidade (Psiu Geral), da
Universidade Federal do Piauí (Ufpi), têm até
amanhã (5) para se inscreverem no concurso. Para 2007,
a instituição oferece 4.815 vagas. As inscrições
devem superar o número registrado pelos organizadores
em anos anteriores.
“Esperamos um aumento considerável para este
ano graças à redução do número
de vagas da Uespi e às vagas extras somadas à
instituição através do projeto de expansão
da Ufpi. Com isso, esperamos uma clientela bem superior ao
dos anos anteriores”, afirmou o presidente da Comissão
Permanente de Vestibular (Copeve), professor José Alberto
Lemos Duarte.
Os candidatos ao Psiu Geral 2007 concorrem com os inscritos
no Psiu subprograma 2005/07 a 4.815 vagas. Estão sendo
oferecidas pela Ufpi 2.470 novas vagas. Além dos 19
cursos criados em Campi de todo o estado, estão sendo
disponibilizadas 570 vagas a mais em cursos já existentes.
Inicialmente, os organizadores esperavam ter, a partir de
previsões estatísticas, cerca de 12 a 15 mil
inscritos. “Pela procura, estamos acreditando que vamos
superar esse número facilmente”, disse o professor.
O crescimento mais acentuado de número de candidatos
deve ser registrado no Campus de Picos. Lá, o número
de vagas foi ampliado em 10 vezes, passando de 80 vagas em
dois cursos para 800 vagas em nove cursos.
Para efetuar a inscrição, o interessado deve
dirigir-se a um dos postos de distribuição do
material de matrícula (Campi da Ufpi, agências
dos Correios cadastradas, Liceu Piauiense e as unidades escolares
Edgar Tito, Lourival Parente e Pinheiro Machado) e adquirir
a ficha de inscrição ao preço de R$ 10,00.
O candidato deve apresentar, juntamente com esse material
devidamente preenchido, a declaração da escola
em que cursa ou tenha cursado o ensino médio, cópia
do documento de identidade, comprovante de pagamento da taxa
e foto 3X4 recente. A taxa de inscrição custa
R$ 80,00 para alunos de escolas da rede privada e R$ 40,00
para estudantes oriundos de escolas públicas. O pagamento
pode ser feito em qualquer agência ou correspondente
bancário do Banco do Brasil. As inscrições
também podem ser feitas através da internet,
pelo site www.copeve.org.br. O presidente da Copeve afirmou
o processo vem sendo realizado de forma bastante tranqüila,
mas que o ideal é não deixar a inscrição
para o último dia.
Outra novidade do Psiu 2007 é a adoção
do sistema de cotas: 5% das vagas de cada curso serão
destinadas a alunos que alcançarem notas próximas
à de corte e que comprovarem ter cursado o ensino básico
em escolas da rede pública de ensino. As provas acontecem
entre os dias 17 e 20 de dezembro.
Mãe pede cadeira
de rodas para a filha com deficiência
Katiúscia Alves
Repórter
A aposentada Maria de Lourdes Lima de Araújo
está pedindo ajuda da população e de
autoridades para conseguir uma cadeira de rodas para a filha
Mikaellen Fontes de Sousa, de apenas 3 anos de idade. A pequena
Mikaellen nasceu com oito centímetros a menos na perna
direita, o que a impede de andar.
“Eu não tenho condições de comprar
uma cadeira de rodas, porque sou muito pobre, mas não
estou mais podendo com ela”, explicou a mãe que
adotou a menina quando tinha apenas seis meses de vida. Maria
de Lourdes é moradora da Vila São Raimundo e
diz que trabalha apenas para a filha deficiente. “Eu
vivo para criar minha filha. Trabalho na casa de uma outra
filha, que tem um pouco mais de condição financeira,
e recebo um salário que mantém nós duas”,
disse.
A aposentada disse que está iniciando um tratamento
em uma faculdade privada, que chega a atender 500 pessoas
semanalmente nas áreas de Fisioterapia, Odontologia
e Nutrição. Mas os médicos já
afirmaram que não podem realizar uma cirurgia, porque
não resolveria o problema. “Os médicos
daqui estão tentando me ajudar. Já fizeram um
pedido para conseguir um andajar (carrinho infantil de locomoção)
através do SUS, mas até agora não conseguiram.
O carrinho ou uma cadeira de rodas facilitariam a minha vida
e a dela também”, comentou a mãe. Mikaellen
precisa de um tratamento sério com uma perna de plástico
e botas de oito centímetros. Para quem quiser ajudar
a garota, o telefone é 3232-3086.
No Piauí, 1.200
pessoas estão na fila de espera por órgãos
Katiúscia Alves
Repórter
Apesar dos avanços, ainda é grande
a fila formada por quem espera um transplante. Só no
Piauí, 1200 pacientes estão à espera
de coração, córnea ou rim - os três
órgãos que podem ser transplantados no Estado.
“Essa falta de órgãos é nacional,
mas os resultados que temos obtido são significativos.
Nosso trabalho é delicado, pois lidamos com as famílias
em seu momento de dor, mas observamos uma consciência
maior sobre a questão da doação’,
atestou Maria de Lourdes Veras.
A nefrologista explicou que a lista cresce a cada dia e o
número de doadores é muito pequeno. Existe apenas
uma lista única de receptores. A ordem é seguida
com rigor, sob supervisão do Ministério Público.
O cadastro é separado por órgãos, tipos
sangüíneos e outras especificações
técnicas. “Para receber um órgão
depende do número de inscrição, mas,
principalmente, da gravidade da doença. Quanto maior
a gravidade, maior a pressa em receber o órgão”,
explicou a diretora.
A aposentada Maria Aparecida de Oliveira Almeida, que nasceu
sem um rim, descobriu há oito anos que tinha problema
renal e iniciou o tratamento através da hemodiálise.
“Só agora descobri que não tinha um rim
e estou na fila de espera para conseguir um. Um sobrinho meu
já manifestou que queria fazer a doação,
mas casou e desistiu. Acredito que as pessoas sentem medo
e por isso não doam”, comentou.
Nágila Xenofonte, de 20 anos, e Marta Silva, de 23
anos, são exemplos de perseverança. Nágila,
que sofria de uma doença renal congênita, ficou
quatro anos presa à máquina de hemodiálise.
“Me considero uma pessoa de sorte, sou uma privilegiada,
porque tem pessoas que ficam 16 anos na fila de espera”,
disse.
Alunos pesquisam vida
de índios
Katiúscia Alves
Repórter
Estudar e participar da arte e cultura indígenas. Este
foi o principal objetivo de um grupo de estudantes de uma
faculdade de Teresina que vivenciou in loco os problemas dos
índios das tribos Kanelas e Guajajaras, do interior
do Maranhão. Os resultados da pesquisa de extensão
foram apresentados ontem pela manhã na sede de uma
faculdade particular de Teresina, com a participação
das tribos indígenas, em comemoração
ao Dia Internacional da Saúde Bucal.
A idéia partiu de professores de Odontologia e estudantes
indígenas da faculdade. A pesquisa revelou os modos
e costumes de um povo que não aprendeu ainda a lidar
com a tecnologia. “Eles escovam com os dedos e usam
areia do rio no lugar do creme dental. Nós não
pretendemos intervir imediatamente nesse processo tradicional,
mas vamos procurar repassar os benefícios de uma correta
utilização dos instrumentos para uma boa higienização
bucal”, explicou a professora Laureni Dantas de França,
que coordenou a pesquisa.
Os estudantes foram levados até as tribos por índios
que estudam na faculdade. “Foi uma experiência
gratificante. O primeiro contato foi levar nossos colegas
até as tribos. Todo mundo ficou impressionado com a
cultura indígena, com os hábitos e costumes
de um povo que a gente está acostumado a falar, mas
não vivencia de perto essa cultura”, argumentou
o estudante de Odontologia, Gnones Pompeu, da tribo Guajajara.
Vários índios estiveram presentes ontem no auditório
da faculdade. Apresentaram um pouco de sua cultura, através
da dança, dos hábitos, vestuário e artesanato.
Eles puderam observar os resultados da pesquisa, que mostrou
as áreas da amamentação, os hábitos
alimentares e higiene das duas tribos. A apresentação
da dança chamou atenção de quem passava
pelo pátio da escola e arrancou aplausos dos professores
e coordenadores. “É uma iniciativa importante,
porque é o estudo unido à prática e à
vivência in loco. Nós levamos a faculdade para
o campo, além da teoria aplicada, nós estaremos
contribuindo para formar melhores profissionais”, comentou
o vice-diretor da faculdade, Francisco Alencar.
Para a professora Laureni Dantas, o importante da pesquisa,
mais ainda que o resultado, é somar os saberes. “O
intercâmbio entre a cultura tradicional desses povos
e o conhecimento acadêmico é o nosso objetivo
principal. Nós reconhecemos as tradições
e incentivamos a continuidade desse processo. Nossa intenção
é apenas orientar a ter uma vida melhor e mais saudável”,
explicou. Os estudantes relataram a experiência de contato
nas aldeias através de depoimentos, fotos e vídeos,
resgatando a identidade cultural de um povo.
Aniversário do
Liceu tem programação de cinco dias
Os 161 anos do Colégio Zacarias de Góes
e Vasconcelos - o Liceu Piauiense - serão comemorados
com uma programação de cinco dias, contando
com missa, dança, teatro, música e jogos. Na
prograação também está incluindo
entrega de medalhas e placas comemorativas para ex-alunos
ilustres. O Liceu está intimamente ligado com a história
da educação piauiense e aposta, atualmente,
na boa atuação dos alunos para recuperar a tradição
e o prestígio de outros tempos.
“A escola já passou por períodos de decadência
e estava assim quando iniciamos nossa gestão, no ano
passado. Mas, hoje, nós conseguimos reestruturar muita
coisa, mudamos vários pontos e, principalmente, sentimos
orgulho de nossos alunos”, diz a diretora Clemilda Bandeira,
mostrando a lista dos mais de 50 aprovados nos vestibulares
de 2006.
“Isso é muito gratificante para nós: saber
que o nosso trabalho está rendendo bons frutos”,
diz. O Liceu conta hoje com 2800 alunos, em 20 salas do ensino
médio, funcionando nos três períodos.
Apesar das oscilações e de um período
de decadência, o Liceu Piauiense está sendo reorganizado
e passa por mudanças desde o ano passado. Além
das modificações na estrutura física
(passou por uma reforma há dois anos), outros setores
da escola também recebem novidades. “Nós
reativamos o laboratório de informática, a TV
escola, liberamos o auditório, implantamos aulas de
teatro, capoeira, xadrez e dança”, comentou Clemilda.
Outro ponto importante é o diálogo constante
com os alunos e familiares. “Estamos trazendo as famílias
para dentro da escola acompanhando diariamente os alunos.
Profissionais de Psicologia de duas faculdades de Teresina
estão nos ajudando em uma parceria inédita,
aconselhando e orientando nossos adolescentes”, descreveu.
Para Clemilda, essas mudanças interferem imediatamente
e positivamente na auto-estima dos adolescentes.
Comemoração
O Liceu Piauiense comemora hoje 161 anos, mas durante toda
a semana haverá uma vasta programação
para comemorar a data. Hoje acontecerá missa e uma
homenagem especial para ex-alunos ilustres da escola, além
de funcionários e autoridades. Haverá ainda
uma feira do conhecimento, gincana cultural, manhã
de sol e partidas de futebol entre os Liceus do Maranhão,
Ceará e Piauí.
História
O Liceu foi fundado pelo professor, político e conselheiro
do Império, Zacarias de Góes e Vasconcelos,
que era interventor do Piauí. A escola foi fundada
em Oeiras, na época capital da província. A
transferência para Teresina aconteceu por conta do Conselheiro
Saraiva, mas, a partir de então, a escola passou a
funcionar de forma debilitada. “O Liceu quase acabou
nessa época, os professores davam aulas para cinco
ou seis alunos em suas próprias casas”, explicou
a diretora Clemilda Bandeira, que também já
exerceu a função de professora de Geografia
na escola.
Dentre os alunos que já passaram pelo Liceu, nomes
ilustres como o do governador Wellington Dias, Freitas Neto,
Manoel Paulo Nunes, Antônio José Medeiros, João
Henrique Sousa, prefeito Sílvio Mendes, Wall Ferraz,
Petrônio Portela e Marechal Humberto de Alencar Castelo
Branco, que chegou à presidência da República.
(KA)
|