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Editorial
Nascentes
do Parnaíba
A criação do Parque das Nascentes do Rio Parnaíba
estará em pauta da reunião extraordinária
que será realizada pela Secretaria de Meio Ambiente
e Recursos Naturais -SEMAR, no próximo dia 10, às
9h, no auditório do órgão. Participarão
da reunião membros dos Conselhos do Meio Ambiente e
Recursos Hídricos. A discussão vai abordar a
importância do Parque para a preservação
das nascentes do rio, considerando, também, a importância
do rio Parnaíba para o equilíbrio ambiental
e sócio-econômico do Estado do Piauí.
Há alguns meses, atendendo a reclamações
de proprietários de terras na Chapa das Mangabeiras
e áreas próximas, o Juiz Substituto da 3ª
Vara Cível, do Distrito Federal, que tornou nulo, através
de Medida Liminar, o Decreto Presidencial que criou o Parque
das Nascentes. Em outra decisão posterior, a Justiça
Federal cassou a liminar, revalidando o Decreto que agora,
pela via de outra liminar, foi novamente anulado. Ou seja,
a Justiça continua autorizando os grileiros baianos
produzirem numa área que deveria ser preservada. A
atuação dos grileiros está atingindo
grande área do parque e pode afetar as nascentes do
Parnaíba, o segundo maior rio do Nordeste, e de extrema
importância para os Estados do Piauí e do Maranhão.
A reunião que será realizada pela SEMAR vai
tentar definir as medidas possíveis e os meios para
implementá-las, com vistas à efetivação
do Parque e retomada das discussões da criação
do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Parnaíba.
A criação do parque, em 2002, foi uma conquista
de uma luta antiga dos ambientalistas e visa proteger a importante
área das bacias hidrográficas dos rios São
Francisco, Parnaíba e Tocantins. O Parque Nacional
das Nascentes do Rio Parnaíba preserva uma rica fauna
dentro de extensa região. É uma das maiores
e mais conservadas extensões de cerrado do Brasil,
três vezes maior do que a área protegida do Pantanal.
Fundamental para a região Meio Norte do Brasil e que
precisa ser preservado, antes que seja tarde demais, para
garantir o futuro do próprio homem. .
Amizade
‘animal’
Adilson Luiz Gonçalves - Escritor, engenheiro
e professor universitário
Amigos, pais e filhos, companheiros de trabalho ou
de vida, em circunstâncias as mais distintas, vez por
outra, conscientes ou levados por contingências, precisam
todos “discutir a relação”. Expressão
repudiada por muitos, sobretudo por homens, tanto pela carga
das palavras ou por seu desgaste em relações
definitivamente corroídas face ao peso dos rancores,
pode ser substituída, por quem quiser, por qualquer
outro dito, até mesmo pelo jargão adotado na
TV brasileira – passando a limpo!
Faço parte do grupo dos que detestam “discutir
a relação”. Mas como a vida é sempre
lição e aprendizado, aprendizado e lição,
olhando à volta, descobri, com o coração
sangrando, que não importa quão bom e amoroso
é um amor que temos. Ele pode nos ferir de vez em quando,
e precisamos perdoar sempre e sempre. Ou vice-versa. Não
podemos mudar um amor, um amigo, um companheiro de trabalho.
Não podemos e não devemos. Uma razão
única: ele é sempre o outro. Somos diferentes
em reações, emoções, sentimentos,
alegrias, dores, e, principalmente, na forma de expressar
bem-querer. É exatamente esta unicidade que nos faz,
de forma redundante, unos, únicos, singulares e indivíduos,
mas sobretudo, solitários. Não há nada
mais despovoado do que cada alegria ou dor que vivenciamos.
Não importam anos, poucos ou muitos. Não importam
experiências, lindas ou dolorosas. Não importam
mãos, calejadas ou macias. Não importam corações,
em alerta ou em entrega. Não importam mágoas,
profundas ou não.
A vida continua. Mas prossegue com pesar, quando não
temos a humildade de rever ações e palavras,
quando não passamos a limpo, com vontade infinda de
descobrir os porquês dos desencontros. E com eles, o
doce segredo do perdão e a alegria que somente a compreensão
de fatos vistos e revistos pode nos trazer. Duas pessoas,
mesmo quando se amam com ardor, podem olhar o mesmo quadro,
assistir ao mesmo filme, escutar o mesmo conto, curtir a mesma
música, viver a mesma história, e reagirem de
forma totalmente diferente, sem que isto seja sinal de desamor.
Ao contrário. É o exercício supremo da
aceitação das diferenças. É respeito.
É amor em sua forma mais plena e verdadeira.
Os nossos caminhos ao longo de toda uma vida possuem altos
e baixos, vitórias e fracassos, mas é exatamente
a forma como atravessamos o túnel dos tormentos, das
tribulações, das adversidades, aflições
e amarguras que nos dá a dimensão exata do rumo
à trilha azul, onde há pássaros e flores,
águas cristalinas e luar, mesmo se invisíveis
para muitos. Cada um precisa encontrar a sua forma de vencer
as passagens subterrâneas, antes que alcance o outro
lado do túnel, onde há luz e esperança!
Que
mundo queremos...
Carlos Henrique de Araújo - Membro da UBE-PI
Ficamos indignados e perplexos quando observamos
o mundo sob a ótica da qualidade de vida de sua população.
É inevitável a conclusão de que estamos
em crise. Felizmente, toda crise é um alerta e uma
oportunidade para mudanças. Não podemos ignorar
esta realidade, é preciso assumi-la para poder transformá-la.
Os governos e a democracia, sozinhos, não são
suficientes para implementar as mudanças necessárias
para melhorar a vida de milhões de pessoas no mundo,
a sociedade “organizada” precisa fazer a sua parte.
A desigualdade entre ricos e pobres a cada ano aumenta, inclusive
em paises do primeiro mundo. A América Latina é
a região mais injusta, segundo a OEA. “Hoje,
há mais riqueza na terra, mas também há
mais injustiça; no mundo, 2,5 bilhões de pessoas
sobrevivem com menos de dois euros por dia e 25 mil pessoas
morrem diariamente de fome”, segundo a FAO.
A desertificação ameaça a vida de 1,2
bilhão de pessoas em vários países. O
preconceito e a intolerância, para com os emigrantes,
é irracional e imoral. Contrariando seu discurso, na
prática, os EUA estão construindo um muro de
1.500 Km na fronteira com o México; a Europa, ao sul
da Espanha, levanta uma cerca para se isolar da África;
e Israel, sob protestos tenta levantar uma barreira de concreto
para se isolar da Faixa de Gaza. Mas apesar de fatos como
estes, a Humanidade dá sinais de mudança, e
para melhor, basta observarmos alguns fatos ocorridos no Século
XX, entre eles podemos constatar: os impérios, britânico,
francês, português, holandês, alemão,
japonês e o russo, diminuíram sua importância
política e econômica, e tentam se reorganizar
na democracia, respeitando as diversidades culturais e ideológicas,
e se mostram preocupados com o meio ambiente; o ecumenismo
cresce em vários níveis, como um novo paradigma
para a fé religiosa, contribuindo assim, para uma convivência
pacífica entre os fies de todas as igrejas e religiões.
A crescente interdependência entre as nações
e o aumento da consciência de que a segurança
é um bem comum, as medidas de desarmamento e o reconhecimento
dos direitos humanos são sinais claros de esperança
para a paz mundial. No entanto, novas ameaças surgem,
como o desemprego, as drogas, a dívida do terceiro
mundo, o desequilíbrio entre países industrializados,
e as dificuldades encontradas pelos países pobres e
subdesenvolvidos, em transformar seus recursos naturais em
bens.
E, finalmente, a degradação ambiental produzida
pelo próprio homem através da deterioração
dos recursos naturais, das mudanças climáticas
devido o aquecimento causado pela desertificação,
destruição da camada de ozônio e a poluição.
Precisamos definir o mundo que queremos para nossos netos
e bisnetos? Crescer é preciso, mas a que custo? O desenvolvimento
é necessário, mas com a distribuição
dos benefícios advindos para todos. Com democracia
e respeito aos direitos humanos. Com uma convivência
pacífica entre indivíduos de cultura, crenças
e raças variadas, compartilhando as mesmas responsabilidades.
Com uma sociedade justa que lute contra a pobreza, contra
o preconceito e contra a exclusão, e que seja a favor
da igualdade política, da eqüidade social, da
diversidade cultural e da preservação do meio
ambiente. .
Visos
históricos
Airton Franco - Delegado de Polícia
Federal aposentado
A história tem um modo implacável de
reconhecimento dos homens públicos. É ingrata,
por vezes. Seus critérios redundam quase sempre lógicos.
A opinião pública tem forte peso valorativo.
Ninguém há negar, por exemplo, de que o fim
do último período autoritário no Brasil
foi apressado, em muito, após a mudança do barco
de políticos como Marco Maciel, Jorge Bornhausen e
Aureliano Chaves inspiradores do movimento político
que se convencionou denominar de Frente Liberal. Eis, como
penso, suas maiores atitudes históricas.
Eu e você, digno leitor, que remanescemos daqueles anos
de arbítrio certamente nos lembramos das rédeas
curtas do regime ditatorial. Os partidos políticos
de então limitavam-se ao PDS controlado a mão
de ferro pelo governo autoritário e ao MDB que, embora
de resistência popular, pouco podia exceder-se da oposição
meramente congressual.
Mas, a sociedade civil pouco a pouco consolidava posições.
Ensaiavam-se, assim, naquele entrementes, depois de longo
tempo, os passos da mais verdadeira política. Ingredientes
é que não faltavam: grupos religiosos exaltados
em face da teologia da libertação; intelectuais
críticos; renascimento do sindicalismo autêntico;
classe média descontente... Enfim, as atuações
mais vivas das pastorais religiosas, dos sindicatos, da OAB,
da ABI, dos movimentos estudantis, e dos periódicos
Pasquim, Opinião e Movimento...
A fundação do PT deu-se, deste modo - isto é
óbvio concluir - como conseqüência natural.
A dimensão do PT denotou, contudo, a bem da verdade,
um inegável marco histórico. Uma ingente conquista
social comparável, como acredito, ao movimento que
tomou conta do Brasil inteiro naquele promissor ambiente da
vida nacional. - a campanha popular pelas “Diretas Já”.
Foi assim que os brasileiros vieram a conhecer e a admirar
o exímio sindicalista Luis Inácio Lula da Silva.
Mas não se diga do Lula, Presidente da República,
um estadista. Não. Diga-se, dele, um hábil líder
de massas. Carismático, sim. Sua ascensão ao
governo significou induvidosamente um grande mérito.
Ele é até maior do que o PT, sua criação.
E passará à história, por isto, como
o retirante nordestino que passou fome e que chegou à
presidência do Brasil. Caso ímpar.
E o que fez Lula pelo fome zero ? Concretamente, ao que eu
saiba, somente o bolsa família que alivia mas que efetivamente
não resolve o problema da fome.
E o que fez Lula pelo social ? Há destacar os investimentos
que alentaram empregos e a reestruturação de
carreiras funcionais propiciada pela positividade da arrecadação,
do superávit e dos bons indicadores econômicos
seguidamente colhidos.
Tais êxitos, mais econômicos e menos sociais,
são frutos fundamentados no inegável triunfo
do Plano Real que debelou de vez a inflação
e a famigerada correção monetária. A
sociedade assim o quis e aprovou, eleitoralmente, o equilíbrio
orçamentário, o ajuste fiscal, a privatização
de empresas públicas deficitárias, tudo isto
às custas de tímidos índices de desenvolvimento
e de elevadíssimas taxas de juros para não falar,
também, de umas nebulosas privatizações.
Afinal, tudo tem seu preço.
Eis os caminhos que o governo do PT não hesitou de
segui-los em sinal de saudável amadurecimento. O pecado
de discutidas privatizações o PT ainda não
cometeu. Cometeu, entretanto, o inacreditável pecado
da corrupção.
Por estas e por outras o peso da história demonstra
que, no Brasil, as reeleições do Poder Executivo
têm sido contraproducentes. É por isto que o
povo clama, não sem alguma razão, pela alternância
do poder.
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